(Mas sua igreja nunca teve coragem de te contar)
I – O MOTIVO DO ARTIGO
Quando escrevemos o nosso primeiro artigo a respeito do tema, levamos apenas em consideração um tipo de dízimo. Após muita reflexão sobre isto, achamos que isto não seria bom, pois poderia dar uma idéia de que só há um tipo de dízimo na Bíblia, o que não é verdade.
Um dos temas mais controversos, mais abusados e mal compreendidos de toda a Bíblia é a questão do dízimo. Infelizmente, os abusos cometidos por muitas igrejas nos motiva a esclarecer o tema, de uma vez por todas, com base nos mandamentos, pois é nos mandamentos que encontramos as instruções sobre como deve ser o dízimo.
II - INTRODUÇÃO
João é crente em Jesus há cerca de um ano. Desde sua conversão, em uma pequena congregação evangélica, João nutre o sonho de que o Senhor lhe conceda uma vida confortável financeiramente.
Timidamente, João entra pela porta da congregação. Senta-se, assiste o louvor. Logo, começa a participar animadamente. Chega a hora do apelo por dízimos e ofertas. O pastor diz à congregação que se derem o dízimo, o Senhor irá fazer com que sejam muito prósperos. João observa ao seu redor. As pessoas são simples, o local também, e todos se levantam para trazer o dízimo. Cheio de esperanças, João deposita o envelope na caixinha.
Há algumas ruas de distância, José está reunido em outra congregação. Esta, mais `light'. José sempre criticou as igrejas que pedem o dízimo avidamente. Está satisfeito por participar de uma congregação que é sustentada por missionários americanos. Dificilmente, José dá alguma contribuição significativa ao ministério, além dos simbólicos 10 reais que deposita na caixinha de ofertas toda semana. Afinal, a igreja de José é bem abastada.
A história acima é fictícia. Mas, infelizmente, poderia ser verdadeira, visto que a maioria dos seguidores de Jesus parece desconhecer ou não entender o que é a questão do dízimo.
Muitos acham que o dízimo será uma fonte de riqueza. Por outro lado, os mais esclarecidos, vêem o dízimo como algo que já passou, e não se refere aos dias de hoje. Sentem-se desconfortáveis em dar qualquer contribuição financeira significativa a um ministério.
Em meio a tanta confusão, é necessário que façamos um estudo sobre o dízimo, a fim de evitarmos cair em um dos dois extremos.
III - EM QUE CONSISTE O DÍZIMO?
É 10% de TUDO o que recebemos por QUALQUER trabalho (o AT torna isto claro ao citar diversos exemplos de trabalhos diferentes.) Pela Lei, fica estabelecido que é 10% do líquido que obtemos, ou seja do valor que recebemos pelo trabalho, menos o que gastamos para exercer o trabalho, e não do ganho bruto.
Alguns tentam alegar que o dízimo seria só de produtos agro-pecuários. Contudo, isto não se verifica nas Escrituras, pois no Novo Testamento encontramos um fariseu dizendo: “ Jejuo duas vezes na semana, e dou o dízimo de tudo quanto ganho.”(Lu. 18:12) Vemos aqui que a concepção de dízimo sempre foi de fato algo acerca de nossa renda de um modo geral
IV – DÍZIMO É TUDO UMA COISA SÓ?
É aqui que começa o problema. A grande maioria das igrejas não menciona, mas, na ausência do Templo, existem PELO MENOS quatro formas diretamente mencionadas pela Lei. Além desta, com um estudo mais aprofundado, podemos encontrar pelo menos mais três:
- USOS DO DÍZIMO DIRETAMENTE MENCIONADOS PELAS ESCRITURAS:
#1 – Para o sustento da obra do Templo (sacerdotes e levitas)
#2 – Para o sustento da obra numa congregação
#3 – Para o sustento de necessitados
#4 – Para celebração perante o Eterno, preferencialmente com a família
A maioria das igrejas ensina apenas os tipos #1 e #2 (principalmente o #2 por motivos óbvios), e no
máximo pode se referir ao tipo #3. O tipo #4 é praticamente desconhecido pela grande maioria dos seguidores de Cristo.
- USOS DO DÍZIMO QUE PODEMOS CONCLUIR A PARTIR DAS ESCRITURAS:
#5 – Para nos ajudar a praticarmos atos de misericórdia
#6 – Para adquirirmos conhecimento do Senhor
#7 – Para cumprirmos outros mandamentos
Estas outras 3 formas de usarmos o dízimo normalmente são completamente ignoradas pela grande
maioria das igrejas. Vamos analisar cada uma delas. Porém, antes disto, é importante que esclareçamos a questão da validade do dízimo para os dias de hoje.
V – SE NÃO HÁ TEMPLO, POSSO DAR O DÍZIMO?
Alguns argumentam que dízimo é coisa de judeu, visto que está definido na lei que foi dada por intermédio de Moshe. Outros dizem que o dízimo não precisa ser dado porque o Templo não está de pé.
Contudo, ambas as afirmações, ao nosso ver, são equivocadas. A primeira já está errada porque parte do pressuposto de que a lei não seria válida para nós, o que é um grande absurdo, mas que não será tema deste estudo em particular. Em segundo lugar, a prática do dízimo é primeiro encontrada em (Gênesis) 14:30, onde Abraão dá o dízimo a Melquisedeque.
O princípio do dízimo foi iniciado por Abraão, que espiritualmente é tido como pai daqueles que depositam sua fé no Senhor. Todos os crentes em Jesus devem seguir o exemplo de Abraão.
Porém, existe aqui o primeiro grande furo na lógica de muitas igrejas. Antes de Moisés, o dízimo não é relatado na Bíblia como sendo um mandamento. Portanto, ou a lei ainda é válida (e aí temos que seguir também os outros mandamentos) , ou o dízimo também foi abolido. É preciso haver coerência.
Se uma igreja defende que a lei foi abolida e ainda assim cobra o dízimo, está sendo hipócrita. Se o dízimo é definido na Lei, que direito temos de escolher aquilo que é conveniente da lei e aplicar aos dias de hoje, ignorando o restante? Isto é zombar do Criador!
VI – ANALISANDO AS DIVERSAS FORMAS DE SE APLICAR O DÍZIMO
FORMA #1 – PARA SUSTENTO DA OBRA NO TEMPLO
Assim diz o mandamento a respeito da herança da tribo de Levi:
"Porque os dízimos que os filhos de Israel oferecerem ao Senhor em oferta alçada, eu os tenho dado por herança aos levitas; porquanto eu lhes disse que nenhuma herança teriam entre os filhos de Israel.”
(Números 18:24)
Somente os da linhagem de Aarão atuavam como sacerdotes no Templo. Cabia, porém, aos levitas os serviços em geral que eram relacionados com o Templo. Normalmente, o dízimo era repartido entre eles.
A décima parte do dízimo (portanto 1%) era entregue pelos levitas aos sacerdotes, em oferta ao Senhor:
“ Também falarás aos levitas, e lhes dirás: Quando dos filhos de Israel receberdes os dízimos, que deles vos tenho dado por herança, então desses dízimos fareis ao Senhor uma oferta alçada, o dízimo dos dízimos.” (Números 18:26)
Este era o conceito original da parte dos dízimos que cabia aos levitas e sacerdotes. Contudo, na ausência do Templo, e praticamente todo o seu sistema religioso, não é alternativa viável neste momento.
FORMA #2 – PARA SUSTENTO DA OBRA NA CONGREGAÇÃO
E o que dizer da congregação? Será que os textos do AT aplicados aos sacerdotes e levitas se aplicariam também a quem trabalha na congregação?
Lembremo-nos de Melquisedeque. Ele também recebeu dízimos de Abraão. O próprio apóstolo Paulo usa um conceito rabínico chamado Kal v’ Chomer (Leve e Pesado) para argumentar que o sacerdócio de Melquisedeque é superior ao de Levi, e curiosamente acaba usando o dízimo como um de seus argumentos:
“ E, por assim dizer, por meio de Abraão, até Levi, que recebe dízimos, pagou dízimos, porquanto ele estava ainda nos lombos de seu pai quando Melquisedeque saiu ao encontro deste.” (Hebreus 7:9-10).
Portanto, podemos concluir pelo menos Kal v’ Chomer que se Levi é digno de receber dízimos, quanto mais digno ainda é Melquisedeque.
Tanto no caso de Levi quanto no de Melquisedeque, o dízimo é dado COMO RETORNO POR TRABALHAR NO SERVIÇO DO ETERNO. Então podemos chegar a duas conclusões:
1) Sacerdotes da ordem de Arão ou da ordem de Melquisedeque podem receber dízimos;
2) Eles servem como fonte de renda dos sacerdotes que agem no serviço do Senhor.
Bem, o Messias é nosso sacerdote eternamente pela ordem de Melquisedeque (Heb. 5:6). Ora, se o Espírito do Senhor concede a algumas pessoas a autoridade para trabalhar no serviço dEle em nome do Messias, então estas pessoas também estão fazendo o trabalho do Senhor em nome dAquele que é da ordem de Melquisedeque. Pela lei, estas pessoas podem receber dízimos.
O Novo Testamento também dá indícios de apoiar este conceito. Aqueles que trabalhavam na obra do Senhor eram mantidos por dízimos e ofertas da comunidade primitiva. Assim diz o apóstolo Paulo
"Pequei por acaso, humilhando-me a mim mesmo, para que vós fôsseis exaltados, porque de graça vos anunciei as Boas Novas de Deus? Outras igrejas despojei, recebendo delas salário, para vos servir; e quando estava presente com vocês, e tinha necessidade, a ninguém fui pesado; porque os irmãos, quando vieram da Macedônia, supriram a minha necessidade; e em tudo me guardei, e ainda me guardarei, de vos ser pesado." (2 Co. 11:7-9 - há passagens similares em 2 Co. 12:13, 1 Ts 2:9, etc.)
Observe que Paulo fala de um salário. Como pode haver salário se a congregação não der dízimos e ofertas?
Lembremo-nos ainda que nosso Messias, ao dar aos seus discípulos a ordem de irem de casa em casa, determinou que eles deveriam ser mantidos por aqueles a quem estivessem pregando a Palavra:
"Ficai nessa casa, comendo e bebendo do que eles tiverem; pois digno é o trabalhador do seu salário.
Não andeis de casa em casa.” (Lucas 10:7, semelhante a 1 Tim 5:18)
O único tipo de salário definido nas Escrituras para o serviço na obra do Senhor é o dízimo. Alguns podem perguntar: mas se era tão óbvia assim a questão do dízimo, porque Paulo preferia evitar ser um fardo para as comunidades onde pregava? A resposta é simples: porque havia muitos crentes gentios. Eles conheciam pouco da palavra e conseqüentemente não estavam acostumados com os princípios do dízimo.
Portanto, Paulo não poderia simplesmente dizer a eles `é a lei', visto que o conselho de Jerusalém (Atos 15) havia decidido que os gentios não poderiam ser `forçados' a viver de acordo com a Lei.
1 Co. 9:13-14 é ainda mais claro sobre os direitos daqueles que vivem para a ministração na obra do Senhor: "Não sabeis vós que os que administram o que é sagrado comem do que é do Templo? E que os que servem ao altar, participam do altar? Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam as Boas Novas, que vivam das Boas Novas."
Um Alerta Importante
Contudo, assim como havia dízimos que não eram dados aos levitas, conforme nos diz a lei e veremos mais adiante, não é lícito também a quem trabalha na obra impor ou mesmo pregar que o dízimo integral seja dado para sustento da congregação, pois o dízimo também tem outras finalidades. Pregar que o dízimo integral deve ser dado para sustento da congregação é não só ilícito, como se caracteriza como roubo aos necessitados (principalmente viúvas e órfãos), e a mão do Senhor pesará sobre quem fizer tal coisa, pois as
Escrituras dizem que o Senhor abomina quem devora os necessitados (Mateus 23:14)
FORMA #3 – PARA O SUSTENTO DE NECESSITADOS
A lei também menciona que o dízimo deve ser usado como auxílio para o sustento de necessitados.
A lei cita explicitamente viúvas, órfãos, e estrangeiros, que eram aqueles que normalmente passavam dificuldade na época. Contudo, podemos concluir que “ viúva” e “órfão” referem-se a todos os necessitados.
Vejamos o que diz a Lei a respeito:
“ Ao fim de cada terceiro ano levarás todos os dízimos da tua colheita do mesmo ano, e os depositarás dentro das tuas portas. Então virá o levita (pois nem parte nem herança tem contigo), o peregrino, o órfão, e a viúva, que estão dentro das tuas portas, e comerão, e fartar-se-ão; para que o Senhor teu Deus te abençoe em toda obra que as tuas mãos fizerem.” (Deuteronômio 14:28-29)
Podem dizer o que quiserem os homens, mas a Bíblia é claríssima. O dízimo também é fonte de renda para os necessitados. Repare que NÃO BASTA dar à congregação e “ lavar as mãos” por achar que a congregação fará algo pelos necessitados: a lei está dando uma instrução específica para o povo aqui.
Um Aviso Importante
Portanto, pelo texto acima, vemos que é nosso dever separar parte do dízimo para darmos a pessoas necessitadas, quer diretamente quer através de instituições de caridade. O importante aqui é o princípio: o dízimo é do Senhor, e Ele ordena que o usemos também para o sustento dos necessitados.
FORMA #4 – Para Celebração Perante o Senhor
Uma outra forma praticamente desconhecida é a do uso em celebração perante o Senhor. Podemos aplicar parte dos dízimos para estarmos reunidos com nossos familiares, celebrando ao Senhor. A lei menciona explicitamente uma refeição, pois culturalmente para um judeu não há festa sem refeição. Veja o que diz a Escritura:
“ E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher ali fazer habitar o seu nome [isto é, o Templo de Jerusalém], comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias. Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos [até o Templo de Jeruslaém], por estar longe de ti o lugar que Senhor teu Deus escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado; então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher. E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o Senhor teu Deus, e te regozijarás, tu e a tua casa.” (Deuteronômio 14:23-26)
Como estamos bem longe de Jerusalém e como o Beit Templo não está presente, podemos usar esta parte do dízimo para celebração ao Senhor com nossa família, conforme diz acima.
Qual o propósito disto?
Vemos que a família é unidade imprescindível nos planos do Senhor, e uma família que celebra junta perante o Senhor cria para si mesma laços de união extremamente fortes, além ser uma oportunidade para que os pais possam dar um excelente exemplo para os filhos.
FORMA #5 – PARA NOS AJUDAR A PRATICARMOS ATOS DE MISERICÓRIDA
Agora entramos nas 3 formas que não são tão explícitas, e que requerem uma análise mais cuidadosa das Escrituras, embora não sejam em absoluto menos válidas do que as demais.
A primeira destas seria para nos ajudar a praticarmos atos de misericórdia.
O que queremos dizer com isso?
Muitas vezes, para ajudarmos uma pessoa, precisamos de recursos financeiros. E tais recursos podem
vir do dízimo! Um exemplo disto seria para visitar pessoas necessitadas, principalmente quando o deslocamento é maior e requer um certo valor. Ou precisamos comprar remédios para os enfermos, entre outras coisas.
Aqui se encaixa também a pregação das Boas Novas de salvação, que é o maior ato de misericórdia que podemos praticar. Podemos, portanto investir parte do dízimo para adquirirmos bíblias para distribuirmos, ou material adequado, ou até mesmo para ajudar a sustentar àqueles que propagam a mensagem das boas novas.
Mas de onde tiramos essa conclusão?
Tudo isso é muito bonito, mas de nada vale se não provarmos isto nas Escrituras. Portanto, vamos à elas:
Como vimos anteriormente, parte do dízimo era oferecida em sacrifício de oferta ao Senhor no Beit
Templo. Contudo, vemos em Oséias 6:6 o seguinte:
“ Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Elohim, mais do que os holocaustos.”
Portanro, sabemos que:
O dízimo era usado para ofertas de sacrifício
O Senhor deseja misericórdia mais do que ofertas de sacrifício
Logo, a misericórdia é maior do que as ofertas
Portanto, podemos concluir que se podemos dar o dízimo para ofertas de sacrifício, quanto mais legítimo é aplicar o dízimo para atos de misericórdia. A Bíblia é bem clara!
Dica Importante
Recomendamos portanto que parte do seu dízimo seja separada para esta finalidade: visitações, pregação das boas novas, materiais, etc. Caso você não esteja diretamente envolvido nestas atividades, procure ajudar a alguém que esteja.
FORMA #6 – PARA ADQUIRIRMOS CONHECIMENTO DO SENHOR
O raciocínio para chegarmos à forma #6 é muito semelhante ao da forma #5:
“ Pois misericórdia quero, e não sacrifícios; e o conhecimento de Deus, mais do que os holocaustos.” (Hoshea / Oséias 6:6)
Portanto, sabemos que:
O dízimo era usado para ofertas de holocausto
O conhecimento do Senhor é mais desejável a Ele do que holocaustos
Logo, o conhecimento do Eterno é maior do que as ofertas
Portanto, podemos concluir que se podemos dar o dízimo para ofertas de holocausto, quanto mais legítimo é aplicar o dízimo para adquirirmos conhecimento do Senhor.
O que queremos dizer com adquirir conhecimento de Deus?
É tudo aquilo que contribui para que o seu conhecimento de Deus, e da Sua Palavra, possam aumentar. Ou seja, você pode usar parte do dízimo para contribuir com o sustento de obras de ensino, ou para adquirir livros, bíblias, etc. Você pode ainda usá-lo para fazer cursos, entre outras coisas, desde que contribuam para a aquisição de conhecimendo de Deus.
Dica Importante
Separe parte do dízimo para que você possa empregar no estudo da Palavra. Esteja sempre lendo um bom livro, ou fazendo um bom curso, ou artigos. Pois tudo pode ser tirado de nós, menos o nosso conhecimento.
FORMA # 7 – PARA CUMPRIRMOS OUTROS MANDAMENTOS
Uma outra análise mais profunda demonstra que podemos aplicar parte do dízimo para podermos cumprir outros mandamentos.
Como podemos chegar a tal conclusão?
(Salmos) 51:16 diz:
“ Pois tu não te comprazes em sacrifícios; se eu te oferecesse holocaustos, tu não te deleitarias” Por que o salmista está dizendo que o Senhor não se alegra com holocaustos? No versículo posterior vemos que, na realidade o Senhor está solicitando ao povo um sacrifício de arrependimento. Ou seja, de nada adianta trazer ofertas ao Senhor se não nos arrependermos de nossos pecados.
Mas qual a relevância disto para nós?
Ora, sabemos pelo Novo Testamento que:
“ ...o pecado é a violação da Lei.” (1 João 3:4)
Portanto, podemos concluir que o cumprir a lei é superior a sacrifícios. Podemos concluir que se um dízimo pode ser usado como oferta de sacrifício, quanto mais legítimo é o seu uso para cumprir os mandamentos do Senhor.
Mas como assim comprir os mandamentos?
Um exemplo interessante que certa vez ouvi de um sábio é que um grande mandamento da lei é emprestar dinheiro a alguém, sem cobrar juros. Esse sábio me sugeriu então que de parte do dízimo poderíamos fazer um fundo para emprestar dinheiro às pessoas sem cobrar juros. É uma idéia interessante.
VII – COM TANTAS FORMAS DE SE APLICAR O DÍZIMO, O QUE EU FAÇO?
A grande dúvida agora é: se há tantas formas de se aplicar o dízimo, o que devemos fazer? Não necessariamente precisamos aplicar todas elas mensalmente. Contudo, as quatros primeiras formas são imprescindíveis.
Como a primeira não pode ser cumprida, devemos, no mínimo, separar o dízimo em três partes (não necessariamente partes iguais), e buscar do Senhor sabedoria para administrar tais partes. Principalmente as #2 e #3 – em hipótese alguma podemos negar a um líder de comunidade o seu sustento, nem deixarmos de arcar com nossa responsabilidade perante o necessitado.
Contudo, não se esqueça das outras formas possíveis de se aplicar o dízimo. E lembre-se sempre de que nossas ações devem ser regidas pelas dois mandamentos mais importantes da lei: o amor a Deus e o amor ao próximo.
VIII – COMO FICA A FORMA #2 SE EU PARTICIPO DE VÁRIOS GRUPOS?
Muitos seguidores de Jesus participam de mais de um mistério. Não é nosso objetivo, com este estudo, fazer análise desta participação, se é boa ou ruim, ou das vantagens e desvantagens de se filiar a mais de um ministério. Isto seria tópico para outro estudo. Mas a questão é lidar com o fato. E a realidade é que existem pessoas que participam de mais de um ministério.
Como devem, então, proceder? Ora, o Senhor espera que usemos o bom senso de acordo com os exemplos contidos em sua Palavra. Reparem que a Biblia deixa claro que o dízimo que cabia aos levitas era repartido entre eles. Além disto, se algum ministério contribui para o seu crescimento na palavra do Senhor, também é digno de salário.
Desta forma, podemos concluir que a forma #2 de se aplicar o dízimo daqueles que participam de mais de um ministério deve ser distribuída de forma igual ou proporcional entre os diferentes ministérios que o sustentam. Fazer uso de um ministério e não o suportar com o sustento é negar o salário de um trabalhador, o que é francamente contra a Palavra do Senhor.
Observe ainda que não cabe a nós julgarmos se um ministério `precisa ou não' de sustento. No templo, isto era tratado diretamente entre o Senhor e os Levitas. Da mesma forma, se um ministério é muito abundante financeiramente, deve seguir a direção do Senhor para amparar ministérios menos favorecidos. Esta é a noção de corpo que deve haver entre ministérios. Contudo, esta é tarefa para quem está a frente dos ministérios. Não cabe a nós julgarmos se algum ministério `precisa mais ou menos que outro'. Salário é salário. Se houve trabalho, tem que haver salário, conforme determinam as Escrituras do Altíssimo.
IX - VOU FICAR RICO DANDO O DÍZIMO?
Algumas seitas usam Malaquias 3:10 para `arrancar' o dízimo das pessoas. Primeiramente, deve ficar bastante claro que nosso objetivo ao dar o dízimo deve ser o princípio da obediência por amor ao Senhor.
Jesus deixou claro que qualquer mandamento que nós cumprimos só é válido se feito única e exclusivamente por amor a YHWH (ou ao próximo):
(Mateus 22:36 -40) - Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.
O Senhor é dono do mundo. Não precisa fazer negócio com ninguém. Ou damos o dízimo por amor a Ele, ou estaremos dando em vão.
Em segundo lugar, em Malaquias 3:10 encontramos:
“ Trazei todos os dízimos à casa do tesouro [do Templo de Jerusalém], para que haja mantimento na minha casa, e depois fazei prova de mim, diz o Senhor dos Exércitos, se eu não vos abrir as janelas do céu, e não derramar sobre vós tal bênção, que dela vos advenha a maior abastança.”
É forçar a barra ao extremo querer aplicar o versículo acima à congregação local. Não há NENHUMA relação entre a congregação local e o Templo. A única analogia mais prática que encontramos da respeito do Templo refere-se a nós mesmos, pois somos templos do Espírito Santo. Em nenhum momento na Bíblia a congregação local substituiu o Templo.
Em terceiro lugar, com que autoridade a congregação local pode se auto-proclamar “ casa do tesouro” ? Se não está na Bíblia (como neste caso), não há espaço em nossa fé para invenções.
Em quarto lugar, a própria Bíblia já nos ensina o que fazer em caso de ausência do Templo: “ E, perante o Senhor teu Deus, no lugar que escolher ali fazer habitar o seu nome [isto é, o Templo de Jerusalém], comerás os dízimos do teu grão, do teu mosto e do teu azeite, e os primogênitos das tuas vacas e das tuas ovelhas; para que aprendas a temer ao Senhor teu Deus por todos os dias. Mas se o caminho te for tão comprido que não possas levar os dízimos [até o Templo de Jerusalém], por estar longe de ti o lugar que Snhor teu Elohim escolher para ali por o seu nome, quando o Senhor teu Deus te tiver abençoado; então vende-os, ata o dinheiro na tua mão e vai ao lugar que o Senhor teu Deus escolher. E aquele dinheiro darás por tudo o que desejares, por bois, por ovelhas, por vinho, por bebida forte, e por tudo o que te pedir a tua alma; comerás ali perante o S-nhor teu Elohim, e te regozijarás, tu e a tua casa.” (Deuteronômio 14:23-26)
Logo, é completamente ilegítimo, pela própria Bíblia, o uso por parte de uma congregação usar Malaquias 3:10 para pedir o dízimo a seus fiéis. A Palavra do Senhor não muda e não mente.
X - MAS ENTÃO O QUE CONCLUIR SOBRE MALAQUIAS 3:10?
Mesmo sem o Templo, a promessa do Senhor para os que são fiéis ao dízimo permanece, pois Ele não muda. Contudo, não é uma promessa de riquezas.
O Senhor promete "bênçãos" àqueles que dão o dízimo. Mas neste contexto é melhor entendido como abundância de recursos. Observe o contexto, se continuar a leitura, você verá que o Senhor está prometendo CAMPOS abundantes e frutíferos. CAMPOS precisam ser trabalhados. O Senhor não promete a ninguém riqueza ou dinheiro fácil. O Senhor não prometeu que enviaria legiões de anjos com tratores para trabalhar o campo por nós. A promessa é de que Ele manterá a sua fonte de renda frutífera. Isto é MUITO DIFERENTE de pensar que ficaremos ricos. Não demos ouvidos à heresia da teologia da prosperidade.
XI – CONCLUSÃO
Esperamos com este artigo despertar os seguidores de Jesus sobre a verdade acerca do dízimo.
Sabemos que este artigo vai contra os interesses pessoais de alguns grupos, porém não nos preocupamos com a aprovação de homens. Infelizmente, algumas passagens das Escrituras que apresentamos aqui não costumam ser pregadas em certas igrejas. Encorajamos portanto a todos os leitores a verificarem cada passagem das Escrituras que se encontram neste artigo, e tirem suas conclusões sobre o que está sendo apresentado.
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