sexta-feira, 14 de outubro de 2011

A importância das palavras‏

Antonio C. Barro

O Senhor Deus me deu uma língua treinada para que eu saiba como responder uma palavra no tempo certo, para aquele que está cansado. Is 50.4

A palavra tem o poder para criar. Quando Deus fala, Deus cria. Quando Deus diz, ‘que haja luz’ (Gn 3.1), a luz surge. Deus fala luz. Para Deus, falar e criar são a mesma coisa. É este poder criativo da palavra que nós precisamos recuperar. O que falamos é muito importante. Quando falamos, ‘eu amo você,’ e falamos isso de todo coração, nós podemos dar a outra pessoa nova vida, nova esperança, nova coragem. Quando dizemos, ‘eu odeio você,’ podemos destruir uma pessoa. Cuidemos de nossas palavras”. Henri Nouwen



A pesquisadora e psiquiatra Louann Brizendine afirma que as mulheres falam 20.000 palavras por dia, enquanto que os homens usam sete mil. Ou seja, falamos muito. Falamos coisas boas, coisas ruins. Muitas vezes falamos quando não devemos ou quando devemos não falamos nada. Com respeito à fala somos corajosos (“eu vou falar tudo que ela precisa ouvir”), somos covardes (silêncio total).

A Bíblia já previa tudo isso.Desde os tempos antigos a fala é usada para o bem e para o mal. Por isso, a Palavra nos orienta no uso da palavra. Fica o desafio do Sl 19.14: “Sejam agradáveis as palavras da minha boca e a meditação do meu coração perante a tua face, SENHOR, Rocha minha e Redentor meu!”.

Saber falar a palavra certa (e da maneira certa) ao corrigir uma pessoa é um dos maiores dons que Deus concedeu aos homens. No livro de Provérbios, Salomão, contrastando aspectos positivos e negativos da nossa maneira de falar, refere-se à importância das palavras e de responder de maneira certa:

“Quem fala com equilíbrio promove a instrução” (Pv 16.21). “Dar resposta apropriada é motivo de alegria; e como é bom um conselho na hora certa!” (Pv 15.23). “A palavra proferida no tempo certo é como frutas de ouro incrustadas numa escultura de prata” (Pv 25.11). “Palavras matam, palavras dão vida; elas são fruto ou veneno – você escolhe!” (Pv 18.21. “O falar amável é árvore de vida” (Pv 15:4).

Lançando uma imagem prévia do Messias, o profeta Isaías diz que Ele receberia língua educada, sábia, na medida, para que soubesse como animar e encorajar no tempo certo ao que está cansado. Como aquilo que falamos e nossa maneira de falar influenciam aqueles que nos rodeiam, essa é uma qualidade importante no relacionamento com as pessoas.

O rabino Joseph Teluskin, autor de "Palavras que Ferem, Palavras que Curam", pergunta muitas vezes aos que assistem a suas palestras se eles conseguem passar 24 horas sem falar uma palavra negativa sobre alguém ou sobre alguma coisa. Aqueles que respondem não, recebem seu recadinho. Ele diz: “Se você não pode ficar 24 horas sem bebida, isso demonstra que você é viciado em bebida. Se você não pode ficar 24 horas sem fumar, isso indica que você é viciado em nicotina. Se você não pode se controlar 24 horas sem falar de alguém ou criticar alguma coisa, você já perdeu o controle da sua língua.”Devemos orar: “Senhor, se hoje em meu caminho eu encontrar alguém que precisa de ânimo, dá-me as palavras certas para encorajá-lo!”

A graça fluía dos lábios de Jesus. “Sabia ‘dizer a seu tempo uma boa palavra ao que está cansado’ (Is 50:4); pois nos lábios Lhe era derramada a graça, a fim de que transmitisse aos homens, pela mais atrativa maneira, os tesouros da verdade” .

As palavras provação e tentação no Novo Testamento têm o mesmo sentido, ou seja: colocar ou ser colocado à prova. Na carta aos Hebreus lemos que Cristo “naquilo que ele mesmo, sendo tentado, padeceu, pode socorrer aos que são tentados”. Temos outra versão onde lemos: “Pois, tendo ele próprio sofrido ao ser provado, é capaz de socorrer os que agora sofrem a provação” (2.18).A primeira observação aqui é que o próprio Cristo sofreu ou padeceu quando foi tentado.



Sofrer aqui significa ser afetado ou estar sendo afetado, sentir, submeter-se a alguma coisa. Ou seja, a tentação é alguma coisa que não isenta ninguém das suas dores. Cristo então passou pela escola do sofrimento e aprendeu muito com isso conforme nessa mesma carta somos informados: “ainda que era Filho, aprendeu a obediência por meio daquilo que sofreu” (5.8).Qual seria a razão ou as razões de Cristo passar pelo sofrimento da tentação?



A resposta é bem simples. Ter autoridade para ministrar e auxiliar aqueles que estão sendo provados e não encontram respostas para suas dores. Se Cristo tivesse passado pela vida tocando flauta, desfrutando dos prazeres desse mundo, dormindo até as três da tarde, certamente ele não teria como nos ajudar. O que saberia ele do que sinto, do que passo, do que penso, do que me angústia, do que me causa dúvidas?Tendo sofrido, diz o texto que ele é capaz, ele pode socorrer os que são tentados. Aqui o autor usa a palavra dunamai, que significa ter poder, recursos e ser forte o suficiente para fazer alguma coisa. Ele vem em nosso socorro.



Com isso podemos aprender que quando enfrentamos as nossas provações não as enfrentamos sozinhos, pois Deus nos providenciou o seu recurso e a sua provisão para nós: Jesus Cristo. Assim podemos dizer que os nossos sofrimentos são os sofrimentos de Cristo e que os sofrimentos de Cristo servem de consolo e encorajamento a cada um de nós.

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