quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"PECADORES QUE AMAM"

"PECADORES QUE AMAM"
Interessante notarmos como muitas pessoas ficam buscando a “igreja ideal”. Elas ficam trocando de igreja como trocam de roupa. Cada igreja pela qual passam possui os seus defeitos, e, após descobrirem isso, mudam para outra igreja.
Isso não apenas demonstra um, mas vários erros: o primeiro é o de tentar ser servido e não buscar servir na igreja. Esta é uma nefasta tendência dos tempos contemporâneos. A vida cristã, conforme definida pelo Senhor Jesus Cristo, é uma constante busca do serviço ao próximo e não uma constante busca pelo prazer.
O outro erro é o de buscarmos a perfeição na igreja que, embora Corpo de Cristo, é constituída por pessoas pecadoras e, portanto, imperfeitas. Ora, como é possível a perfeição de um organismo formado por partes imperfeitas? Esta busca da perfeição nos impede de amar. Não se ama e, muito menos, perdoa-se aos que são pecadores. Por esse motivo, muitas vezes a igreja se torna legalista e, infelizmente, farisaica.
Contra essa atitude Jesus se insurgiu em sua época. Os fariseus declaravam-se “perfeitos”, “justos”, pela observância da lei conforme a sua própria interpretação. Mais ainda, eles discriminavam todos os que não cumprissem com suas determinações e não alcançassem aquela “perfeição”. Jesus nunca aceitou essa falsa perfeição, esse legalismo e essa discriminação dos fariseus.
Podemos perceber esse embate na narrativa que se encontra no Evangelho de Lucas capítulo 7, versículos 36 a 50.
Jesus foi jantar na casa de um fariseu. Este desrespeitou todos os costumes da época e não recebeu bem a Jesus. Deixou de lavar os pés de Jesus, não ungiu sua cabeça com azeite e nem deu o beijo de boas vindas. Durante o jantar entrou uma mulher pecadora (adúltera ou prostituta) que se prostrou aos pés de Jesus e, chorando muito, lavou-os com precioso ungüento e enxugou com seus cabelos. O fariseu passou a julgar Jesus por aceitar esse gesto da mulher pecadora.
Jesus contou-lhe uma parábola: havia um credor que tinha dois devedores, um que lhe devia pouco e outro que lhe devia muito. O credor perdoou a ambos. Após contar-lhe a parábola, Jesus perguntou ao fariseu: “Qual deles, portanto o amará mais? Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe Jesus: Julgaste bem.” (Lucas 7:42b-43).
Depois Jesus comparou o amor com que tinha sido tratado pelo fariseu, que se julgava “justo” e pela mulher pecadora. Aquele se achava “perfeito” e buscava pessoas “perfeitas”, enquanto esta sabia ser pecadora e necessitada da graça e misericórdia divina.
Por isso Jesus disse: “Por isso te digo: perdoados lhe são os seus muitos pecados, porque ela muito amou; mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama.”
A Igreja precisa estar cheia de pecadores que amam e não de “justos” que julgam.

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